Sábado, 25.10.08

Acordei um pouco tonto. Uma daquelas sensações estranhas e intensas. Não fazia mais pálida ideia de onde estava. Mas tinha acabado de acordar e cá estava eu. Olhei em volta e vi-me num quarto mais ou menos desarrumado. Havia pedaços de roupa espalhados um pouco por toda a parte. Algumas minhas, isso eu reconhecia. Estava decidido: este não era o meu quarto.

 

Aos poucos, a luz da manhã devolveu-me a capacidade de ver. Ainda um pouco enevoado, consegui ver um formato familiar. Pensei para mim "raispartam a porra do gato". Era uma imagem Hello Kitty pendurada algures numa estante cravejada de livros. Depois outra, e outra até reparar num quarto típico de mulher, cheio desse icon da moda que é o gato parvo de boca em cruz.

Ao menos acordei num quarto de uma mulher - pensei esboçando um sorriso. Aos poucos as imagens da noite anterior vieram-me assolar a cabeça. Lembrava-me da noite, de alguns sítios. De deambular de bar em bar, depois uma discoteca, ou outra. Mulheres, muitas. Sorrisos. Bocas demasiado jovens para estar ali naquele espaço cheio de fumo e alcool. E homens dispostos a tudo para poder ter um pouco mais que um sorriso.

 

Se calhar, um desses homens sou eu - constatei. Mas afinal, onde raio é que estou?

Os sentidos estavam a despontar aos poucos. Agora estava mais acordado e via as minhas calças amarrotadas no chão ao meu lado. A carteira, semi-saída do bolso de traz, mostrava uma fotografia familiar. Rasguei de novo um sorriso. Ela já tinha feito 6 anos. Estava uma mulher. Agora parecia mais distante desde que a mãe me tinha deixado. Precisava de estabilidade, dizia ela. Enfim, aquela foto é como uma recordação cada vez mais vaga e longínqua.

 

Mas afinal, onde estou?

 

Ao longe, o som mudo do correr de água. Um duche. Bem preciso - pensei. O silencio surdo da casa foi rompido por um som que percebi ser de uma maquina de café. Em seguida o som de água calou-se e em breve, um rodar de maçaneta soltou uma porta algures pela casa.

 

Fiquei sem saber o que fazer. O primeiro impulso foi fugir dali a sete pés. Mas depois a razão instalou-se. Se estou aqui, nestas condições, é porque fui convidado. De certeza que foi isso. Aproximei-me mais para a borda da cama e senti um frio desconfortável.

É pá, estou nu! Para onde foram as minhas cuecas? Com os pés percorri o fundo da cama tentando descobrir a minha roupa interior. Nisto, a porta abre e uma mulher irrompe.

Uma mulher de trinta e poucos entrou pelo quarto dentro segurando uma bandeja com café e torradas. Sorria de orelha e orelha e começou a falar sem parar.

 

Bom dia, bom dia como estás. Nem acredito nesta noite. Ui tu estavas com o gaz todo. Coisas que nem sabia que exisitiam! Como queres o café? Açucar? se calhar queres leite. Ou chá? Queres um croissant? E fiambre. Ai que parva que eu sou, não se deve perguntar. Vou já buscar...

 

E nisto saiu do quarto a toda a velocidade deixando-me ali, com cara de parvo, sem saber exactamente o que se estava a passar. Mas o que raio se está aqui a passar? Mas como lhe dizer alguma coisa sem a deixar melindrada? Obviamente que fizemos sexo esta noite. Mas como raio é que não me lembro? O que raio se está a passar aqui?

 

Os passos voltaram a ouvir-se no corredor, aproximando-se, e lá chegava mais uma bandeja com croissants, geleias e todas as coisas que se possam imaginar.

 

(continua no próximo post)



publicado por Anonimo às 03:19 | link do post | comentar

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